domingo, 2 de novembro de 2008

Eu, o Vento


Que sou calmo e violento, sou

vendaval e brisa que a mercê da vida,

às vezes sou conforto, às vezes

incômodo. Às vezes paz, às vezes

caos.


Eu, o vento, que sou incolor e frio,

sou calor e sangue, que a mercê da

vida, às vezes sou dor, às vezes

rotina. As vezes sou morte, às vezes

vida.


Eu, o vento, que sou órfão e só, sou

carinho e carente, que a mercê da

vida, às vezes sou colheita, às vezes

plantio. Às vezes sou notado, às

vezes esquecido.


Eu, o vento, que sou força e anemia,

sou opressor e vítima, que a mercê da

vida, às vezes sou vento,

simplesmente.


Mário Nhardes

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Ah!

Então pessoas, vamos falar do assunto do momento, pois é, esse mesmo que você já tá cansado de ouvir falar, afinal, agora, Eloá é o que há, ou era, ou havia, ah, enfim, falemos do novo espetáculo!
Alguns meses atrás vim aqui criticar o circo que fizeram no caso Isabela, e como eu já tinha “prevido” não demorou muito para o caso ser esquecido, vê se ainda falam alguma coisa, foi só esperar mais um pouquinho pra surgir a tragédia do momento e os holofotes serem voltados pra lá.
É ridículo, eu sei, mas é humano.
Não vou me estender falando novamente do papel da imprensa nisso tudo, Sônia Abrão, Brito Jr. e outros foram se meter a negociadores entrevistando o bandido ao vivo e deram a ele mais um pouco de fama e garantiram para si mais um pouco de ibope. Não, o mais ridículo foi Sônia Abrão, uma jornalista com anos de experiência, formada pela Pontifica Universidade Católica de São Paulo, passar a mão na cabeça do marginal: “Eu sei que ele é uma boa pessoa, é um rapaz de família, tem dois empregos, não bebe, não fuma, blablabla”. Não bebe, não fuma, só sequestra de vez em quando, né, Dona Sõnia? Rapaz de familia é? Suzane Richtofen (não sei escrever esse nome) também era uma moça de família, de uma boa família, diga-se de passagem, pergunta para os pais dela se eu to mentindo...ops...
É interessante ver como isso se desenrola, pensam que acabou? Que nada! Enquanto esse assunto vender e as pessoas não satisfazerem sua sede de fofoca isso vai render, e muito. Não me admiraria nada se Estrela fizesse uma boneca Eloá. “Compre agora mesmo sua boneca. Acompanha bala para se colocar na cabeça”. Ou então a Mattel lançasse a Barbie Eloá. “Nayara. Sua amiga vendida separadamente”. Agora, Farei minhas “previsões”: O bandido vai morrer. Um belo dia vão chegar na cela dele e encontrar o corpo do defunto morto que já faleceu, ou enforcado, envenenado ou assassinado pelos outros meliantes, caso não esteja em cela separada. O quê? Não acreditam, oras, o próprio povo teria linchado o cara se pudesse, e ai de quem esteja lendo isso aqui e venha querer dizer que não tenha pensado: “Deviam ter matado esse FDP logo!”. Se até eu pensei! To me rendendo. Pronto, falei, não tenho vergonha de nada. u_u. E ai de que venha algum defensor dos direitos humanos vir me encher a paciência defendendo esse serzinho.
Mas não pensem que eu vou fazer também como toda a imprensa ta fazendo, como o povo que conhecia, ou dizia conhecer a guria ta fazendo, morreu, agora só tão falando bem. Ah, poupem-me, canonizem logo a menina, então! Olha, gente, a menina começou a namorar o meliante com 12 anos de idade! 12 anos!!!! Isso lá é ser inocente?? Eu com 12 anos tava fazendo Pokémon de Durepox para brincar! Tá, ela foi vítima de uma tragédia, mas quem mandou ela se meter com quem não devia? Da primeira vez que esse vagabundo tivesse sentado a mão nela, ela tinha que ter ido a polícia. Se a Eloá tivesse comunicado a polícia, isso nunca teria acontecido, né, Pica-Pau?
E a polícia? Vamos combinar, acho que eles tão disputando com a impressa para ver quem ganha no quesito trapalhada. É essa a polícia que temos, fazer o que? Despreparada, atrapalhada, sucateada, enfim, coisas que a gente já vem sabendo a anos e que em 2000 se tornou mais público ainda – graças a fabulosa imprensa – no caso do ônibus 174, no Rio de Janeiro. Por falar nisso, vocês repararam que um joga a culpa para o outro? A imprensa fala do despreparo da polícia, e a polícia diz que a imprensa atrapalhou as negociações. Tanto faz agora, acabou tudo mal mesmo. Menos, é claro, para quem recebeu os órgãos da menina.
E os órgãos da Eloá que foram doados, que bela ação da família, né, gente? Nossa, me comove tamanha generosidade. Ainda teremos reportagens especiais daqui a um tempo com as pessoas que receberam cada um dos órgãos doados, vocês vão ver. Talvez até lancem aquele brinquedo :”Operação” no formato Eloá. Sabem? Aquele brinquedo que você tem que fazer cirurgia nos órgãos sem tocar com a pinça em determinado lugar? Não sabem? Égua, gente, vocês não tiveram infância, não? Quem mandou começar a namorar tudo cedo! ¬¬'
E vocês viram o enterro dela hoje? 10 mil pessoas acompanhando. Minha gente, acho que nem o enterro da Dercy Gonçalves que foi um acontecimento muuuuuuuito mais importante, afinal, descobrimos que ela não era o Mun-Ra, o ser eteeeeeerno, tinha tudo isso de gente. Fico a pensar: 10 mil pessoas, 10 mil desocupados, 10 mil desempregados, será? 10 mil curiosos, oras, façam-me o favor, não venham querer me vender a idéia de solidariedade do povo brasileiro que essa eu não compro e não troco nem por uma Barbie Eloá. A curiosidade é algo inerente do ser humano. Pena que só mata os gatos.
Quanta palhaçada, vou te contar.... humanos...aff...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Que coisa feia, tsc tsc

Sabe quando te pegam fazendo algo que você não devia tá fazendo?
Pois é, é engraçado né? Além de constrangedor, obviamente.
Há vários tipos de reações, as do tipo indignada e falsa moralista "Mas o que é isso?!"; a do tipo estética "Que coisa feia, tsc tsc"; a do tipo religiosa: "Oh Meu Deus!"; a do tipo já vi de tudo na vida "Pff.." a do tipo metódica: "Mas em cima do meu tapete?!" a do tipo que enfiou o dedo na tomada: "Estou chocada!", a do tipo protagonista de novela mexicana: "Oh! Rodolfo Augusto! Como podes ser capaz de ato tão vil, nefasto e degradante como este!"
Enfim, há tantos tipos de surpresas e tantos tipos de reações que se fosse enumerar aqui ficaríamos todos com a expressão de um dia de domingo assistindo Faustão, Gugu e genéricos...
Então, fora a vontade que você tem de que um buraco do tamanho do metrô de São Paulo se abra e te engula, o que mais você sente? Alguns talvez não sintam nada, outros talvez sintam-se realizados em quebrar certas regras hipócritas criadas por uma sociedade mais hipócrita ainda, ou talvez por terem quebrado suas próprias regras, seja lá quais forem.
Vocês sabem, Oscar Wilde já nos dava o exemplo em O Retrato de Dorian Gray: "Há pecados cuja recordação fascina mais do que o ato de praticá-los, triunfos singulares que lisonjeiam o orgulho mais do que as paixões e dão ao espírito mais prazer do que deram, ou poderiam causar aos sentidos." Absolutamente de acordo. Cometer erros não serve apenas para você aprender com eles, algumas vezes cometer erros é a melhor forma de acertar as coisas. Às vezes esses erros tiram o céu dos ombros de Atlas, ou mundo das suas costas, como queira. O fato é que dizem que só a morte te liberta, apesar dela ser a única coisa realmente certa na vida, às vezes é um erro que te libertará. Até de si mesmo.
Talvez o certo mesmo seja errar, afinal ninguém pode acertar sempre, se pudessem não seriam humanos, seriam Deus, logo vocês não existiriam e entre erros e acertos uma hora você consegue ver que "somos castigados por nossas renúncias. Cada impulso que tentamos aniquilar germina em nossa mente e nos envenena. Pecando, o corpo se liberta do seu pecado, porque a ação é um meio de purificação. Nada resta então a não ser a lembrança de um prazer ou a volúpia de um remorso. O único meio de livrar-se de uma tentação é ceder a ela.
Se lhe resistirmos, as nossas almas ficarão doentes, desejando coisas que se proibiram a si mesmas, e, além disso, sentirão o desejo por aquilo que umas leis monstruosas fizeram monstruoso e ilegal".
Tá, pra quem acha que Oscar Wilde não é um bom exemplo a ser seguido, observem o que disse José Saramago em Ensaio sobre a cegueira: "Se antes de cada ato nosso nos púsessemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imeditatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar."
E isso sim é certo.

E as eleições, pessoas? Erraram muito?
Tudo bem, errar é relativo. Errar é bom! Mesmo quando as consequências não o são.

sábado, 27 de setembro de 2008

Quelque chose

Queria mesmo escrever algo de interessante aqui, demoro tanto tempo para atualizar que acho que seja lá quem leia merece ler algo de interessante e não reclames. Enfim, creio que não tenha nada de novo para contar.
Eu tenho um caderno. Um caderno em que escrevo frases interessantes de livros, filmes, séries, desenhos, dos outros e/ou minhas. Sempre que posso fico a reler, é como se tudo aquilo que estivesse lá fosse um pequeno resumo do que aprendi ao longo da vida até o momento.
Hoje me peguei lembrando a seguinte frase: "Aqueles que esquecem o passado estão condenados a repiti-lo". É interessante, mas é quase um paradoxo com a frase de Aristóteles: "Só uma coisa é negada a Deus: o poder de refazer o passado". Se nem mesmo "Deus" tem tal poder, quem somos nós para tanto? Talvez sejamos realmente sortudos por não ter tal poder, afinal, "o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente." E Nietzsche já dizia: "Abençoados os esquecidos pois tiram o melhor dos seus equívocos".´
Até quando é bom viver de passado? de lembranças? Até quando é necessário cometer o mesmo erro para que a lição seja aprendida e apreendida?
Não acredito em Deus. Mas às vezes me pergunto se o Mal de Alzaimer não seria realmente uma benção. Não posso dizer ao certo, pois não sei como funciona além da gente ficar repetindo várias vezes a mesma coisa. Mas seria interessante poder apagar da lembrança aquelas dores que a gente vai acumulando no inconsciente.
Pois é gente, porque às vezes eu também queria ter o cabelo azul, tangerina, me chamar Clementine e ter uma boa parte da minha memória apagada. Boas e ruins.
Uma Lacuna Inc. sem dúvida alguma faria fortunas comigo. Uma simples lobotomia já seria de grande valia, mas infelizmente as coisas não são assim tão simples. E logo a gente começa a varrer a sujeira da nossa mente pra debaixo do carpete do inconsciente, ou colocando tudo dentro daquele armário escuro e poeirento esperando que uma hora aquela porta estoure, como nos desenhos, derrubando toda uma montanha de inutilidades, futilidades, e, dores.
Pois é, mas "guarda o que não presta, encontrarás o que é preciso".
O que é preciso para sua evolução, para o seu encontro consigo mesmo, ou com algo maior, para quem acredite nisso, ou apenas com mais um monte de bagunça que é preciso pôr em ordem, talvez um armário, talvez sua mente, suas emoções ou sua vida.
Recorro a Nietzsche novamente para dizer que "o homem cansa-se da vida quando não a vive plenamente", mas assim como ele, "eu nada amo mais profundamente do que a vida, e ainda mais quando a detesto".
Em Os Sofrimentos do Jovem Werther, Goethe é bem enfático com tudo isso que tentei aqui dizer: "A natureza humana é limitada: ela suporta a alegria, a tristeza, a dor até certo ponto; se ultrapassar irá sucumbir". "O que é o homem, para que se atreva a lamentar-se a respeito de si mesmo?". "O homem é tão efêmero que, mesmo onde está verdadeiramente seguro da sua existência, no único lugar em que sua presença produz uma impressão real - na memória e no coração dos amigos - mesmo ali vai apagar-se e desaparecer, e logo!"
E sabe o que é pior? isso acontece sem qualquer auxílio de Mal de Alzaimer, Lacuna Inc. ou qualquer Haitiano com poderes especiais. O Tempo se encarrega das coisas. Todo o tipo de coisa.
Quelque chose.

sábado, 13 de setembro de 2008

Dois patinhos na lagoa

"... Sempre sentira que era muito, muito perigoso viver, por um só dia que fosse."Virginia Woolf estava certa.A cada ano, nesse mesmo 13 de setembro, de sorte para uns, de azar para outros, tento fazer um balanço do que aconteceu na minha vida. Tento não me prolongar muito, não parecer muito depreminte, depressivo ou desprezível, mas é fato: não consigo fazer o balanço apenas de um único ano. O que eu sou (seja lá o que for) é fruto de uma vida e não apenas de 12 meses. Por isso acabo me prolongando mais do que deveria, às vezes falando mais do que deveria, às vezes não falando o que esqueci ou procuro esquecer. Doravante, sem mais delongas...
Sim, é verdade. É a data mais odiada do ano por mim. E cá estou eu no dia do meu aniversário de 22 anos, com o pé machucado, com o que me resta dos meus cabelos desgrenhados revelando fios brancos precisando urgentemente de uma hidratação a qual não farei por pura preguiça, com a barba por fazer a qual continuará assim por puro charme; fazendo algo que com certeza me deixará com peso na consciência depois: comendo uma pizza de quatro queijos, tomando uma Coca-Cola e pensando na vida ao som de música fossa.
"Pensar faz sofrer" Stendhal falava e "Pensar é que faz você morrer" já dizia Mitch Albom. E com razão. Fico a pensar nesses 22 anos e não tem um dia sequer que eu não deseje estar morto.Ah! Pensem o que quiserem. Viver pode ser prazeroso, mas para quem o saiba, ou possa. Chegar a 22 anos sem muitas realizações é vergonhoso, admito. E mais ainda é não ter perspectiva nenhuma para faze-las.
Em um dos meus aniversários terminei a minha reflexão com um trecho de um dos temas de Pokémon: "Eu quero ir onde ninguém foi e muito mais além". E "para poder chegar onde se quer, tudo depende de onde se esteja.". Pois é, não consegui ir muito longe, ainda não conheço o mar, e quando paro para pensar no que eu estou perdendo é o que mais me dói, nas coisas que eu gostaria de poder ver e não posso, não por estar cego, mas porque meus olhos nunca poderão apreciar tais belezas e tamanhas grandiosidades. Talvez por isso eu tenha essa visão da vida e não consiga enxerga-la como as pessoas gostariam que eu a visse com essa grandiosidade e esplendor. É o que mais dói realmente: ve-la passar e apenas acenar com o lencinho branco após enxugar as lágrimas.Muitos dirão para correr atrás, pois é, com perdão do trocadilho meus pés não estão em bom estado para correr no momento. "Mas a vida não é só esse momento, menino", muitos dirão. Será? Não é ela que passa num piscar de olhos? Sejam eles cegos ou não?Talvez eu não esteja só perdendo Tempo, perdendo a visão para as coisas boas que a vida nos proporciona, estou perdendo as pessoas, coisas que eu amo com o Tempo, ou para ele. Talvez já tenha perdido a razão a muito tempo. Talvez eu fique bêbado não para perder a consciência, mas para recuperá-la ao perder o controle, não da vida. esse eu nunca tive, mas de mim mesmo.Não é apenas por vegetar e não viver que digo que sou uma planta. Há inúmeros motivos os quais não serão discutidos aqui porque acho que já me prolonguei demais e nada falei. Viver é cansativo, muito mais cansativo que horário eleitoral gratuito com a infelicidade de nem sempre ser tão divertida.Nem sei por que ainda escrevo sobre o 13 de setembro, talvez escrever sobre o 11 fosse muito mais lucrativo. Seria pretensão minha ensinar alguma coisa. Irônico? Sim, absolutamente.
Quanto mais o Tempo passa mais eu deveria aprender coisas para passar adiante, mas acho que não estou aprendendo nada de bom ou que mereça ser passado adiante.
"Minha vida passou por passar..." Por favor, joguem minhas cinzas ao mar...
" O sentimento do homem de ser um estranho no mundo, leva a uma sensação de desespero, tédio, náusea, absurdidade e vazio".
Isso resume bem o que eu sinto.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A COISA - Stephen King


Sinopse

Foi em 1958, na pacata Derry, que eles aprenderam o real sentido de algumas palavras. foi ao longo de junho de 1958, durante as férias escolares, que Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly descobriram o que significa amizade, amor, confiança e... medo.
O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixa em Derry terríveis marcas de sangue.
Quase trinta anos depois, eles voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror avassala a pequena cidade e somente eles são capazes de enfrentar e vencer a Coisa. O tempo é curto. No entanto, eles vão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

Crítica

Stephen King não recebeu o título de "O Mestre do Terror" atoa. A Coisa iniciado em 1981 e concluído em 1985 é sem dúvida mais uma confirmação disso.
O livro em si é bem extenso, tanto que foi dividido em 2 volumes que li em 2 meses.
Nele, Stephen King não injeta apenas mais uma dose de medo em nossas veias, para dizer a verdade, não me assustou tanto quanto O Cemitério, mas tem sim, suas qualidades, e muitas. Pennywise (ou Parcimonioso, na versão em português), o palhaço dançarino, com certeza é a maior representação do simbolismo d'A Coisa.
O que é e qual a origem d'A Coisa é um mistério que é revelado aos poucos (bem aos poucos, mais lá pro final do volume 2), o que se sabe é que ela assume a forma física daquilo que a pessoa mais teme. Suas vítimas, são em sua maioria crianças, por serem mais imaginativas, mais fáceis de incitar-se o medo.
Pennywise funciona como esse catalisador, ao mesmo tempo que atrai a vítima, a devora. Com certeza é o maior trunfo do livro em se tratando de medo. Sua imagem permanece gravada na memória por muito tempo com certeza sendo a fonte do medo de palhaços de muitos...
Porém, não creio que o ponto alto de A Coisa seja realmente o medo, o suspense e etc.
Na minha humilde opinião, Stephen King fez um passeio e tanto nas relações humanas, aqui. Em certos momentos achei que o livro tinha muitas partes desnecessárias, mas essa idéia se dissipou ao se olhar com mais atenção. Desenvolver 7 personagens principais de maneira com que você se identifique pelo menos um pouco com cada um e os sinta próximo de si não é fácil, mas Stephen King conseguiu de maneira primorosa tornar real cada protagonista.
A amizade que "Os Perdedores" têm desde a infância é comovente. O sacrifício que cada um faz pelos amigos em diferentes momentos, o companheirismo, a cumplicidade deles é algo que nos faz desejar vivenciar tudo aquilo. Ouvir um "eu amo vocês, caras, vocês são os melhores amigos que já tive!" de maneira pura é realmente raro. É tão real quanto a conclusão. Como muitas vezes nas nossas vidas, O Tempo leva cada um a seu caminho, e aquela amizade tão bonita se perde e cai no esquecimento por mais que você tente relembrar e retomar as pessoas e momentos que você deixou para trás, algumas vezes não por opção.
A Coisa é muito mais que um livro de terror, é uma celebração. Uma exaltação de memórias, da infância, da inocência, da amizade, do amor que com certeza fará o leitor recordar das memórias da sua infância, e, sentir saudades de tudo aquilo, da inocência que se perdeu, das amizades que jamais terá novamente e do amor que esqueceu.
Como exemplifica algumas passagens do livro:
"Talvez nem exista isso de amigos que prestam ou que não prestam - talvez existam apenas amigos, pessoas que nos apoiam quando estamos por baixo e que não nos deixam sentir solidão. Talvez sempre mereçam que nos preocupemos, que torçamos e vivamos por eles. E que também morramos por eles. Nada de amigos que prestam. Nada de amigos que não prestam. Apenas amigos de quem sentimos falta, com os quais queremos ficar, as pessoas que moram em nosso coração".
(...)
"O que importa é o amor, a preocupação, os cuidados... é sempre o desejo, jamais o tempo. Talvez seja tudo o que podemos levar conosco, ao sairmos do azul e penetrarmos no negro. Um frio consolo pode ser, porém melhor do que nenhum".
Eis tudo.
9 estrelas
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Trindade

Felicidade: ninguém nunca chega a um consenso do que seja ou de como alcança-la. Teorias e mais teorias são elaboradas e discutidas com a intenção de desvendar esse mistério que nem Sherlock Holmes acredita ser tão elementar. Há padrões para ser feliz, pois cada ser humano em sua individualidade padroniza os outros e tenta se enquadrar em um padrão, mesmo que seja o seu próprio. Dinheiro, saúde e Deus são alguns dos elementos que as pessoas buscam para encontrar a tal da Dona Felicidade.
Como diz o ditado: "Se dinheiro não traz felicidade, dê-me o seu e seja feliz". Seria hipocrisia demais dizer que o dinheiro não traz felicidade. Ele compra praticamente tudo que uma pessoa precisa para ser feliz: compra amor (mesmo que seja um falso); compra conforto; compra o perdão para o Reino dos Céus e a passagem para o Mundo Encantado da Disney; em alguns casos compra saúde ou ameniza a dor. Compra principalmente o mais vulgar de todos os objetos: pessoas."Há coisas que o dinheiro não compra. Para todas as outras existe MasterCard".
Saúde! Não, ninguém espirrou. alguns casos de enfermidade nem todo o dinheiro do mundo pode curar. Por isso, para desfrutar de uma vida feliz é preciso estar com a saúde em dia. Corpo são, mente sã. Alguns são felizes apenas com o corpo são. E para os que não têm dinheiro dizem que ter saúde é aquilo que importa. Devia ser o slogam do SUS. Mas quando já não há mais remédio (com perdão do trocadilho), entrega-se tudo nas mãos de Deus.
"Deus é um ser mágico que veio do nada criou o universo e tortura eternamente aqueles que não acreditam nele porque os ama". "Eu sou feliz porque tenho Deus no meu coração". Quem nunca ouviu essa frase de alguém? A resposta de José Saramago, ateu, quando lhe perguntaram como podem homens sem Deus serem bons, é pertinente nessa hora: "Como podem homens com Deus serem tão ruins?". Charles Chaplin já dizia que por simples bom senso não acreditava em Deus. Em nenhum.
Talvez Chaplin já tivesse a fórmula da felicidade, mas para os que não a possuem resta apegar-se naquilo que suas capacidades lhe permitem, sejam elas o dinheiro, a saúde, ou a fé, no dinheiro, na saúde ou outra coisa qualquer.